Ten Rules for Being Human
1. You will receive a body. You may like it or hate it, but it's yours to keep for the entire period.
2. You will learn lessons. You are enrolled in a full-time informal school called, "life."
3. There are no mistakes, only lessons. Growth is a process of trial, error, and experimentation. The "failed" experiments are as much a part of the process as the experiments that ultimately "work."
4. Lessons are repeated until they are learned. A lesson will be presented to you in various forms until you have learned it. When you have learned it, you can go on to the next lesson.
5. Learning lessons does not end. There's no part of life that doesn't contain its lessons. If you're alive, that means there are still lessons to be learned.
6. "There" is no better a place than "here." When your "there" has become a "here", you will simply obtain another "there" that will again look better than "here."
7. Other people are merely mirrors of you. You cannot love or hate something about another person unless it reflects to you something you love or hate about yourself.
8. What you make of your life is up to you. You have all the tools and resources you need. What you do with them is up to you. The choice is yours.
9. Your answers lie within you. The answers to life's questions lie within you. All you need to do is look, listen, and trust.
10. You will forget all this.
by: Cherie Carter-Scott

(...) – Não sei se sabe, Nástenka, que há em Petersburgo uns lugarzinhos bem estranhos. Nesses recantos é como se não brilhasse o mesmo sol que arde para toda a gente em Petersburgo, mas outro qualquer, um sol novo, como que encomendado de propósito para esses sítios, um sol que alumia tudo com uma luz diferente. Nesses recantos, querida Nástenka, parece viver-se uma vida muito diferente, nada comparável à vida que ferve ao nosso lado, uma vida talvez só possível no reino dos contos de fadas e não entre nós, nestes nossos tempos sisudos. Essa vida é uma mistura exacta de pura fantasia, de ideal ferveroso e, por outro lado (infelizmente, Nástenka!), qualquer coisa descolorida, prosaica e vulgar, para não dizer: de uma chateza incrível.
- Fu! Meu Deus! Que prefácio! O que irei ouvir a seguir? - Vai ouvir, Nástenka (acho que nunca me hei-de cansar de lhe chamar Nástenka), vai ouvir que nesses recantos moram pessoas muito estranhas: os sonhadores. O sonhador, caso a Nástenka precise de uma definição pormenorizada, não é uma pessoa, mas uma criatura intermédia, se quiser. Instala-se, na maioria dos casos, nalgum recanto inacessível, como se até da luz do dia se escondesse, e, logo que se mete no seu recanto, fica colado a ele como um caracol, ou, pelo menos, fica muito parecido a esse bicho engraçado que é animal e casa ao mesmo tempo e que se chama tartaruga. (...)
(...) No quarto, escurece; na sua alma há um vazio e uma tristeza; todo um reino de devaneios se desmorona à sua volta, rui sem estérpito e sem deixar vestígios, passa como um sonho, um sonho cujo conteúdo esqueceu. Porém, uma sensação obscura, uma dor surda a levantar-se no seu peito, um novo desejo, já lhe titila e excita sedutoramente a fantasia, um imperceptível apelo a toda uma chusma de novos fantasmas. No pequeno quarto reina o silêncio; o retiro solitário e a perguiça afagam a imaginação, que começa a inflamar-se, a fervilhar levemente, como a água na cafeteira da velha Matriona, placidamente atarefada na cozinha ao lado, a preparar o café dela. Eis a imaginação que já irrompe, fulgurante, eis um livro, nas suas mãos por acaso e sem querer, que já cai das mãos do meu sonhador antes de ter chegado à terceira página. A imaginação está outra vez afinada, excitada, e de novo brilham repentinos aos seus olhos um mundo novo e uma vida nova e encantada na sua perspectiva cintilante. Um novo sonho- uma nova felicidade! Uma nova dose de requintado, voluptuoso veneno! Oh, bem lhe interessa a nossa vida real! Para o seu olhar cativado, Nástenka, pessoas como nós vivem de modo perguiçoso, vagaroso, mole; para ele, andamos todos descontentes com o nosso destino, sentimos muito tédio na nossa vida! Mas também, olhe só, à primeira vista tudo entre nós é de facto escuro, frio, como que zangado... «Coitados!»- pensa o meu sonhador. Não admira que pense assim! Olhe para estes fantasmas mágicos que, de modo tão divino, tão caprichoso, tão vasto, tão infinito, formam diante dele um quadro milagroso e cheio de vida, onde em primeiro plano, como personagem principal, está sem dúvida ele mesmo, o nosso sonhador, na sua própria e querida pessoa. Olhe que aventuras mais variadas, que enxame infinito de sonhos enlevados! Vai talvez perguntar: com que sonha ele? Com tudo... (...)
in: Noites Brancas, Fiódor Dostoiévski

Foi então que apareceu a raposa. - Olá, bom dia! - disse a raposa. - Olá, bom dia! - respondeu educadamente o principezinho, que se virou para trás mas não viu ninguém. - Estou aqui, debaixo da macieira - disse a voz. - Quem és tu? - perguntou o pricipezinho. - És bem bonita... - Sou uma raposa - disse a raposa. - Anda brincar comigo - pediu-lhe o principezinho. - Estou tão triste... - Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. Ainda ninguém me cativou... - Ah! Então, desculpa! - disse o principezinho. Mas pôs-se a pensar, a pensar, e acabou por perguntar: - «Cativar» quer dizer o quê? - Vê-se logo que não és de cá - disse a raposa. - De que andas tu à procura? - Ando à procura dos homens - disse o principezinho. - «Cativar» quer dizer o quê? - Os homens têm espingardas e passam o tempo a caçar- disse a raposa. - É uma grande maçada! E também fazem criação de galinhas. Aliás, na minha opinião, é o único interesse deles. Andas à procura de galinhas? - Não - disse o principezinho. - Ando à procura de amigos. «Cativar» quer dizer o quê? - É uma coisa de que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. - Quer dizer «criar laços»... - Criar laços? - Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto tu não és para mim senão um rapazinho perfeitamente igual a cem mil outros rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto eu não sou para ti senão uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E eu também passo a ser única no mundo para ti... - Parece-me que estou a perceber - disse o principezinho. - Sabes, há uma certa flor... tenho impressão que ela me cativou... - É bem possível - disse a raposa. - Vê-se cada coisa cá na Terra... - Oh! Mas não é na Terra! - disse o principezinho. A raposa pareceu muito intrigada. - Então, é noutro planeta? - É. - E nesse planeta há caçadores? - Não. - Começo a achar-lhe alguma graça... E galinhas? - Não. - Não há bela sem senão... - suspirou a raposa. Mas voltou a insistir na mesma ideia: - Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu caço galinhas e os homens caçam-me a mim. As galinhas são todas parecidas umas com as outras e os homens são todos parecidos uns com os outros. Por isso, às vezes, aborreço-me muito. Mas, se tu me cativares, a minha vida fica cheia de sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, repara! Estás a ver aqueles campos de trigo ali adiante? Eu não gosto de pão e, por isso, o trigo não me serve para nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando tu me tiveres cativado, vai ser maravilhoso! O trigo é dourado e há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do som do vento a bater no trigo... A raposa calou-se e ficou a olhar para o principezinho durante muito tempo. - Se fazes favor... Cativa-me! - acabou finalmente por pedir. - Eu bem gostava- respondeu o principezinho, - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer... - Só conhecemos o que cativamos - disse a raposa. - Os homens deixaram de ter tempo para conhecer o que quer que seja. Compram as coisas já feitas aos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens deixaram de ter amigos. Se queres um amigo, cativa-me! - E tenho de fazer o quê? - disse o principezinho. - Tens de ter muita paciência. Primeiro, sentas-te longe de mim, assim, na relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas podes-te sentar cada dia um bocadinho mais perto... O principezinho voltou no dia seguinte. - Era melhor teres vindo á mesma hora - disse a raposa. - Por exemplo, se vieres às quatro horas , às três, já eu começo a estar feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sinto. Às quatro em ponto hei-de estar toda agitada e toda inquieta: fico a conhecer o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca vou saber a que horas hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito... Precisamos de rituais. - O que é um ritual? - disse o principezinho. - Também é uma coisa que toda a gente se esqueceu- disse a raposa. - É o que torna um dia diferente dos outros dias e uma hora diferente das outras horas. Por exemplo, os meus caçadores têm um ritual. À quinta feira, vão dançar com as raparigas da aldeia. Por isso, a quinta feira é um dia maravilhoso. Eu posso ir passear às vinhas. Se os caçadores fossem dançar num dia qualquer, os dias eram todos iguais uns aos outros e eu nunca tinha férias. E o principezinho cativou a raposa. Mas quando se aproximou a hora da despedida: - Ai! - suspirou a raposa - Ai que me vou pôr a chorar... - A culpa é tua - disse o principezinho. - Eu não te desejava mal nenhum, mas tu pediste para eu te cativar... - Pois pedi - disse a raposa. - Mas agora vais-te pôr a chorar! - disse o principezinho. - Pois vou - disse a raposa. - Então não ganhaste nada com isso! - Ai ganhei, sim, senhor! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo... E acrescentou: - Anda, vai ver as rosas outra vez. Vais entender que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo. O principezinho foi ver as rosas outra vez. - Vocês não são nada parecidas com a minha rosa! Vocês ainda não são nada - disse-lhes ele. - Ninguém vos cativou e vocês não cativaram ninguém. São como a minha raposa era, uma raposa perfeitamente igual a outras cem mil raposas. Mas eu tornei-a minha amiga e ela passou a ser única no mundo. E as rosas ficaram bastante arreliadas. - Vocês são bonitas, mas vazias - insistiu o principezinho. - Não se pode morrer por vocês. Claro que, para um transeunte qualquer, a minha rosa é igual a vocês. Mas, sozinha, é muito mais importante do que vocês todas juntas, porque foi ela que eu reguei. Porque foi ela que eu pus debaixo de uma redoma. Porque foi ela que eu abriguei com o biombo. Porque foi a ela que eu matei as lagartas (menos duas ou três, por causa das borboletas). Porque foi a ela que eu ouvi queixar-se, gabar-se e até, às vezes, calar-se. Porque ela é a minha rosa. Depois voltou para o pé da raposa e despediu-se: - Adeus... - Adeus - despediu-se a raposa. - Agora vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos... - O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer. - Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante. - Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer. - Os homens já não se lembram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativaste. Tu és responsável pela tua rosa... - Eu sou responsável pela minha rosa...- repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
in O Principezinho, Antoine de Saint-Exupéry

Enquanto concentrarmos o olhar apenas em nós mesmos, a verdade estará sempre um pouco mais à frente.